|
Um exemplo da necessidade da sofisticação diagnóstica |
|
|
|
24-Mar-2008 |
É impossível para o leigo imaginar a complexidade do ato da micção. Parece simples devido à habitualidade. Porém, a sucessão de fenômenos necessários para que a urina seja expelida é intensa. Envolve atividade cerebral, integridade da inervação, da musculatura, da anatomia uretral e esfincteriana.
Em condições normais, a musculatura da bexiga está relaxada, fato que mantém a pressão intravesical baixa. Associado a isto o esfíncter uretral está contraído, fato que mantém a pressão esfincteriana elevada. Esta situação permite que a bexiga encha e que a urina não escorra pernas abaixo sem o nosso controle.
À medida que a urina chega à bexiga, ela vai distendendo a musculatura e ativando terminações nervosas que levam a informação do enchimento a uma determinada área do cérebro. Esta imediatamente inicia um processo que irá culminar com a micção. No inicio nós somos capazes de inibir esta vontade, seja porque o desejo não é tão intenso, porque naquele momento estamos realizando uma tarefa que não podemos interromper ou a condição sanitária não é ideal. Somos capazes de inibir o desejo muitas vezes até sermos impelidos a realizar o ato da micção. O momento imediatamente antes do início da micção se caracteriza por um aumento da pressão intravesical (dentro da bexiga) através da contração progressiva da musculatura da bexiga. Quando a pressão dentro da bexiga fica igual ou maior do que a pressão do esfíncter uretral este se abre e permite a saída da urina.
Agora podemos visualizar melhor a complexidade do ato miccional e o quanto é vulnerável este processo. Desta forma, doenças neurológicas que afetem a condução dos impulsos nervosos da bexiga para o cérebro e deste para a bexiga, que afetem a musculatura da bexiga e ou do esfíncter uretral, doenças próprias da musculatura, doenças obstrutivas da uretra como por exemplo, o aumento benigno da próstata, doenças psiquiátricas e uso de determinados tipos de agentes farmacológicos podem de alguma forma afetar o mecanismo da micção tornando-a deficiente ou mesmo impossível.
A grande maioria das doenças que comprometem o ato da micção apresenta queixas comuns tais como, hesitação para iniciar a micção, alteração da força e calibre do jato urinário, aumento da freqüência urinária diurna e noturna, sensação de esvaziamento vesical incompleto, perda urinária involuntária e até a incapacidade total de urinar. Desta forma o urologista precisa além de colher uma história clínica detalhada, dispor de exames de imagem e funcional para chegar ao diagnóstico correto e instituir o tratamento adequado.
O Dr Matt T. Rosenberg do Michigan Health Center escreveu recentemente que muitas vezes, existem doenças associadas principalmente a chamada bexiga hiperativa. Esta se traduz pela incapacidade total ou parcial da pessoa inibir o desejo miccional. Desta forma quando a bexiga se enche e avisa ao cérebro que está enchendo, antes da pessoa tomar conhecimento disto ou em ato contínuo, a musculatura de bexiga se contrai e a pessoa perde urina espontaneamente. É uma das diversas formas de incontinência urinária.
Quando o urologista não investiga adequadamente o paciente e indica uma cirurgia para tratar o crescimento da próstata intempestivamente pode não estar resolvendo o problema do paciente. Podem existir doenças concomitantes.
O urologista deve avaliar com profundidade os pacientes com queixas miccionais. Deve procurar chegar ao diagnóstico correto e ser extremamente rigoroso na indicação de cirurgias. Estas são indicadas quando de fato for beneficiar os pacientes. Todos os pacientes com as queixas acima devem ser submetidos a exames de ultra-sonografia da próstata e vias urinárias e estudo urodinâmico para avaliar o funcionamento da bexiga e do esfíncter uretral.
Uma indicação cirúrgica inadvertida significa um resultado final ruim. Fato que gera insatisfações e riscos desnecessários para o medico e paciente.
Dr. Evandro de Oliveira Cunha - Diretor Geral - Hospital Urológico de Brasília
|
|
Atualizado em ( 24-Mar-2008 )
|